Mídia; O Grande Juiz. Não só julga como condena

O complexo e espetaculoso julgamento de O.J Simpson, tendo como principal personagem a grande mídia.

Eu como telespectadora tenho dois pontos a ressaltar depois de assistir o documentário O povo contra O. J Simpson disponível na Netflix, vou destacar a exposição midiática da promotora Márcia Clark e as divisões raciais nas politicas púbicas estadunidenses e seus efeitos.

Atores caracterizados na serie como Marcia Clark, O.J Simpson e Robert Shapiro

O assassinato de Nicole Brown e Ron Goldman, ficou muitíssimo famoso por ter como principal suspeito um dos atletas que estava em alta no futebol americano, O.J Simpson ex marido de Nicole, foi então veiculado em muitos canais de notícias. No decorrer do caso com inúmeras atitudes impulsivas do astro e grande curiosidade do público e fãs em saber o que estava acontecendo, levou o caso a ser uma grande fonte de audiência no momento, o chamado julgamento do século.

A mídia foi um grande instrumento se tornando um personagem á parte no julgamento, tanto para a bancada de advogados de defesa que sabiam usar as transmissões do julgamento para o público em casa, direcionado principalmente aos telespectadores negros e por outro lado a mídia interferiu negativamente na vida pessoal da Promotora. Vou detalhar em dois tópicos.

Mídia x Mulheres;

Marcia Clark durante o julgamento

Como citei anteriormente a mídia foi um dos grandes personagens nesse julgamento espetaculoso, me chamou atenção por ambos os lados, seja como uma estudante de comunicação e consequentemente trabalhando com mídia e também como mulher acompanhando a mídia diariamente.

Ao decorrer do processo sendo televisionado a mídia enalteceu outros detalhes além do assassinato de duas pessoas, como a promotora Marcia Clark , mas não em seu trabalho no tribunal e sim com opiniões em suas roupas, cabelos e divulgação de particularidades de sua vida pessoal. Fiquei incomodada , pois essa abordagem ocorre com frequência, dar destaques as futilidades, ditar regras sobre o corpo feminino e ocultar seu profissionalismo e intelectualidade, como estudante de jornalismo acreditando que ainda posso fazer mudanças, me incomodou muito e me levou a pensar sobre o impacto que a mídia, seja levado informações quanto as recebendo em nosso dia a dia.

Racismo X Justiça

Historicamente, acredito que todos tem conhecimento da postura policial estadunidense ao abordar os cidadãos negros. Infelizmente isso ainda permanece, e na época dos assassinatos haviam protestos e movimentações da comunidade negra devido a estes muitos episódios de violência policial. Tendo o réu negro e ídolo esportivo a defesa usou deste argumento para tentar invalidar as acusações, e como mencionei o julgamento foi espetaculoso, as provas e evidências se tornaram detalhes em um caso de tamanha importância principalmente para as vitimas.

Ao meu ver a injustiça gerou injustiça, a população negra que ainda luta por seus direitos vendo um grande atleta em destaque O.J Simpson que era tido como ídolo é o público que o acompanhava principalmente a comunidade negra não aceitaria deixar de acreditar até o último minuto principalmente depois da defesa ter acusado um dos policiais de perseguição, fazendo assim muitos acreditarem na sua inocência.

Então chegamos ao assunto, o verdadeiro julgamento foi entre a comunidade negra contra os policiais e o departamento de justiça, foi como uma “reparação histórica” se assim pode se dizer em relação aos sentimentos ali criados e alimentados pela defesa e sendo apoiado por parte do público. A injusta relação da policia com os negros e diversos casos de racismo incluindo de um dos policiais que colheu uma das provas, foi suficiente para ser usado como trunfo e convencer o júri de maioria negra que o réu era vitima de perseguição, não ouve um julgamento somente baseado em provas e evidências.

A segregação racial que ocorre a tempos foi um grande peso neste julgamento, como se a injustiça fosse paga com injustiça.

Efeitos

A segregação racial que ocorre a tempos foi um grande peso neste julgamento, como se a injustiça fosse paga com injustiça. Esse e o efeito do racismo, não existe democracia e justiça sem se respeitar pessoas negras como cidadão de mesmo valor, inúmeros são o casos que acontecem constantemente, escancarando o tratamento do negro na sociedade. Quando se fala em crimes a população negra e encarcerada e muitas das vezes são inocentes e por outro lado vemos a população branca tendo suas vantagens. Enquanto não houver justiça racial não haverá uma real democracia e julgamento justo para ambos os lados.

Analisando a mídia nesses casos e também como ela funciona até hoje , percebemos que ela escancarou o que a sociedade misógina e racista exala em seu tratamento com mulheres e negros, infelizmente percebo que a mídia brasileira em sua maioria compactua com a permanência “suavizando” casos de racismo e misoginia ao noticiar e abordar o tema.

Observações Finais

Lembram do policial acusado de plantar provas? Pois é, Mark Fuhrman foi acusado de ter ter dito palavras racistas sobre afro-americanos e todas as fitas foram ouvidas durante o julgamento. Além disso colecionava objetos de guerra, sendo algumas delas decorações nazistas. Foi condenado apenas por perjúrio, e com sua visibilidade publicou um livro e atualmente trabalha na televisão falando sobre provas forenses. Não foi investigado pelos casos de racismo.

A cronologia das criticas ao cabelo de Marcia aconteceu no período de tempo maior e segundo ela a mudança não aconteceu devido as criticas, mas ainda assim os tabloides não deixaram de comentar. Sobre o topless tudo aconteceu veridicamente com intervenção da defesa do réu tentando desestabilizar o trabalho de Márcia.

Polêmica foto na capa da TIME deixando-o com a imagem mais sombria reacendeu a tensão racial no caso, a revista declarou não ter cunho racial na intenção ao alterar a foto. Logo a capa foi trocada sem nenhuma edição na foto de O.J Simpson.

Fontes ;Altered Images bdc

Publicado por eulumello

Olá, sou Luciene e aqui está meu site com meus atributos profissionais. Sou estudante de jornalismo, amante da arte de ensinar através da informação.

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